Histórico
 01/05/2007 a 31/05/2007
 01/04/2007 a 30/04/2007
 01/03/2007 a 31/03/2007
 01/02/2007 a 28/02/2007
 01/01/2007 a 31/01/2007
 01/12/2006 a 31/12/2006
 01/11/2006 a 30/11/2006
 01/10/2006 a 31/10/2006
 01/09/2006 a 30/09/2006
 01/08/2006 a 31/08/2006
 01/07/2006 a 31/07/2006
 01/06/2006 a 30/06/2006


Outros sites
 Clique para medir sua velocidade de conexão
 Rosebud (falecido)
 Rosebud Livros
 Rosebud - Decoração
 Rio Negro
 Café Impresso
 O Caixote
 Sarapalha
 Simão Pessoa
 Uma letra depois...
 Idéias em desalinho
 Branco Leone
 Anjos de Prata
 Cadernos da Bélgica
 Blog do Ordisi
 Rafael Duarte
 Água marinha
 Blog do Conto
 Jus Sperniand
 Kayuá
 Almas Inquietas
 Agrestino
 Dias com Árvores
 Contando causos
 Casa de paragens
 Ovo azul turquesa
 Rapidinhas da OE
 Tente outra vez
 Umbigo do Sonho
 Caminhos de papel
 Batata Patética
 Beto Muniz
 Verdes Trigos
 Homem Gasolim
 Taquiprati
 No Arame
 Abrupto
 Parla Marieta


Quero Mais Brasil
 
 
Rose Rose Rosebud


Aos amigos um grande abraço de Natal e votos de esperança e alegria para 2007.



Escrito por vera do val / inquieta às 11h30
[ ] [ envie esta mensagem ]



 

Hoje, 18 de Dezembro, tenho um aniversariante muito amado e nunca esquecido. A quem não tenho maneira de parabenizar diretamente. Então vai por aqui. Um beijo saudoso e um tango de Gardel.

 

Por uma cabeza

 

Por una cabeza

De un noble potrillo

Que justo en la raya

Afloja al llegar.

Y que al regresar

Parece decir

No olvides, hermano,

Vos sabes no hay que jugar.

Por una cabeza

Metejon de un día

De aquella coqueta

y burlona mujer

Que al jugar sonriendo

El amor que esta mintiendo

Quema en una hoguera

todo mi querer.

Por una cabeza

Todas las locuras

Su boca que besa

Borra la tristeza

Calma la amargura.

Por una cabeza

Si ella me olvida

Que importa perderme

Mil veces la vida

Para que vivir.

Cuantos desengaños

Por una cabeza



Escrito por vera do val / inquieta às 03h13
[ ] [ envie esta mensagem ]



Yo jure mil veces

No vuelvo a insistir.

Pero si un mirar

Me hiere al pasar

Su boca de fuego

Otra vez quiero besar.

Basta de carrera:

Se acabo la timba,

Un final reñido

Yo no vuelvo a ver.

Pero si algún pingo

Llega a ser fija el domingo

Yo me juego entero

¡ que le voy a hacer ¡

Por una cabeza

Todas las locuras

Su boca que besa

Borra la tristeza

Calma la amargura.

Por una cabeza

Si ella me olvida

Que importa perderme

Mil veces la vida

Para que vivir.

 

Lepera/ Gardel

 



Escrito por vera do val / inquieta às 03h09
[ ] [ envie esta mensagem ]



 

Gentileza Ana Peluso



Escrito por vera do val / inquieta às 11h27
[ ] [ envie esta mensagem ]



Filho de peixe.....

Bruna é filha de Marcelo D’Ávila e Claudia Albornoz.  Marcelo, nosso querido amigo, poeta e prosador admirável. E Bruna, que gostaria de se chamar Amanda, acaba de ganhar seu primeiro concurso literário. Com apenas 10 anos.

Parabéns, querida.

 

 

O Mistério dos Presentes

 

Os Natais de minha família sempre foram muito misteriosos, pois a pergunta que não queria calar era:

Quem colocava os presentes embaixo da árvore de Natal?

Eu e meu primo sempre tentávamos descobrir quem fazia isso... E tínhamos muitos suspeitos! E o primeiro da lista era...

O meu avô!

Isso porque em um de nossos Natais, o tal Papai Noel tinha um anel igual ao anel de formatura do meu avô! No Natal seguinte, meu primo reparou nos sapatos do bom velhinho... Iguais aos de meu avô.

E nos dois Natais citados acima, meu avô não havia comparecido! Essa era outra pista...

Mas teve um ano (acho que foi 2001) meu avô começou a comparecer nos Natais e o Papai Noel que aparecia era aquele que sempre chegava nos tele-mensagens e ficava só 15 minutos... Mas o mistério de quem arrumava os presentes todos bonitinhos embaixo daquele pinheirinho enfeitado ainda não havia sido desvendado!

Até que, no Natal de 2004, eu e meu primo resolvemos nos esconder na sala, embaixo de uma mesinha ali no canto da sala... Mas, como queríamos ficar escondidos no mesmo lugar, eu acabei ficando de costas e, ainda por cima, na frente do meu primo... Então, não deu para ver.

E o mistério dos presentes nunca foi solucionado.

 

Bruna Albornoz D'Ávila. 10 anos. Concurso Histórias de Natal, do jornal Zero Hora de Porto Alegre.

 



Escrito por vera do val / inquieta às 21h34
[ ] [ envie esta mensagem ]



O fantasma da titia

 

Naquele domingo de setembro, fazia um calor infernal. A casa da rua 3, na Cohab-Am do Parque Dez, era um forno micro-ondas. A família inteira estava socada no quarto vendo televisão, em volta do único ventilador, cujo barulho dava a impressão de que ia levantar vôo. Serginho, sete anos, saiu um instantinho para ir beber água na cozinha. Voltou correndo, ofegante, com os olhos esbugalhados, gritando:

- A titia está conversando com as garrafas.

Todo mundo saiu correndo pra ver de perto. Efetivamente, lá estava a titia, com a porta da geladeira aberta, dialogando com cada uma delas. Naquele momento, segurava uma de vidro verde pelo gargalo, como se quisesse enforcá-la:

- Estou zangada! Muito zangada com você, sabia? Você fez tolices! To-li-ces! Quem mandou ficar aqui na frente, sua enxerida? Seu lugar é lá atrás. Você ainda não esfriou e tem que esperar sua vez. Troque de lugar com sua irmã. Anda!

Na medida em que falava, titia deslocava suas interlocutoras, como se fossem peças num tabuleiro de xadrez. Pegou com as duas mãos uma amarela, de plástico, pela cintura:

- Não se esconda não, sua gorduchinha. Eu já te vi. Vem pra cá pra frente, vem! Você já está no ponto, ge-la-di-nha!

 

Botar o quê, Belão?

 

A titia botou na cabeça que era a responsável pelo suprimento de água gelada para toda família. Tornou-se, por auto-nomeação, a titular da Secretaria de Recursos Hídricos. Passava o dia inteirinho enchendo com água do filtro as garrafas que eram esvaziadas. Depois, ia arrumando todas na geladeira, do seu jeito, numa certa ordem, fazendo um rodízio, colocando sempre as mais geladas na frente.

No início, todo mundo achou bom e se aproveitou. Aquele era, sem dúvida, um serviço de utilidade pública, sobretudo em período brabo de calor, numa casa cheia de crianças e adolescentes e que ainda por cima recebia muitas visitas. Mas depois a coisa tomou outro rumo, virou mania, obsessão mórbida. Titia armava um escândalo quando descobria garrafas fora do lugar. Era um foco permanente de conflitos.

Só é possível explicar o comportamento da titia, se entendemos por que é que ela ficou solteirona, no caritó. A culpa foi de dois vizinhos de infância, o Belarmino e - olha só que coincidência! - o Nelson Prodent. Os dois moleques queriam a mesma coisa. Nelson se declarava: “Raimunda, você é feia de cara, mas boa de perna”. E Belarmino, mais obsceno, vivia provocando: - “Raimundinha, deixa eu botar na tua bundinha?”. Ela, ingênua, respondia: - “Botar o quê, Belão?”.

Foi aí que vovó Marelisa compreendeu que tinha que interná-la no convento das Adoradoras do Preciosíssimo Sangue de Cristo, convencida de que sua filha era demasiado inocente pra viver em um mundo tão imoral e prevaricador. Titia vestiu o hábito e jurou os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência. Viveu, enclausurada, 35 anos, protegida das maldades mundanas. No final da vida, já doente, alquebrada e moça velha, o convento a devolveu para a família. Ela foi morar na casa da sobrinha Heloísa, casada com um santo, o Neném, e os seis filhos do casal.

Foi lá, leitor (a), que nós a encontramos, enchendo garrafas. Titia tentava colocar ordem num universo confuso, desordenado e caótico, antropomorfizando alguns objetos de uso doméstico, como as garrafas da geladeira, os únicos seres que a escutavam, lhe davam atenção e não a interrompiam quando falava.

continua



Escrito por vera do val / inquieta às 11h10
[ ] [ envie esta mensagem ]



conclusão 

A mão voadora

 

- “A titia tá ficando doida” – diagnosticou o Neném, quando descobriu que ela havia batizado cada garrafa com nome de gente. Tinha garrafas chamadas Graziela, Priscila, Bia, Zuleika, Janaína ou simplesmente Jana. Onde já se viu conversar com garrafas? O Neném decidiu, então, acabar com aquela marmotice de uma vez por todas. Jogou fora aquelas que tinham cores e tamanhos diferentes e comprou todas de plástico, iguaizinhas, para impedir sua identificação.

Ah, mas titia era danada. Sabem o que ela fez? Com o esmalte vermelho da Sandrinha, de pintar unhas, numerou cada garrafa de 1 a 11. Parecia até time de futebol. Deu nome para cada uma: Paula, Lu, Midori, Carol, Mana, Daniela, Márcia e assim por diante...Os sobrinhos, de pura sacanagem, apagaram os números. Titia, que não conseguia mais identificar quem era Greiciane, Fabíola, Maiara, foi à loucura. Naquela noite, teve pesadelo. Deu um grito medonho que ecoou pela madrugada, acordando os vizinhos da rua 3:  

- “Nãããão! Minha mão nãããããão!

O Neném deu um pulo da rede e correu pro quarto dela. No caminho, no corredor escuro, tropeçou no velocípede do Serginho e entrou gemendo, com a canela doída:

- Ai, ai, ai, o que foi, titia?

Titia interpretou o gemido do Neném como um gesto solidário:

- Você viu? Minha mão! Minha mão saiu voando pela janela como se fosse uma borboleta.

- Sua mão está aí, titia, colada no seu braço.

Acontece que titia havia dormido com a cabeça sobre o braço direito, que perdeu a sensibilidade e ficou formigando. Aí teve um pesadelo e sonhou que sua mão direita havia voado, batendo asas até o igarapé do Mindu, cantando como um passarinho: “Na mão direita tem uma roseira, abre a saia, mais faceira”.

No outro dia, a Heloísa, que havia estudado Psicologia com a professora Odaléa Frazão, no Instituto de Educação do Amazonas, arriscou uma interpretação do sonho. Sem marido, sem filhos, sem sequer ter tido um namorado com quem pudesse trocar um beijo, titia se considerava a mãe das garrafas. Impedida de falar com suas filhas, sentiu como se tivesse tido as mãos decepadas, que nem Fidelis Baniwa, o Joe Caripuna do Mad Maria.

Titia morreu logo depois, de desgosto, deixando na orfandade várias garrafas. Sua vida teria sido outra, se não tivesse sido molestada, em sua infância, por dois marmanjos ambiciosos, que só pensam em botar no dos outros. Descanse em paz, tia Raimunda!

Os moradores da rua 3 asseguram que a alma penada da titia continua vagando pela Cohab-Am do Parque Dez. Alguns chegaram a vê-la, vestida com sua batinha nordestina de florzinha, com as duas mãos nos quadris, como um açucareiro. Cuidado, que ela é capaz de vir puxar os pés dos dois assediadores. Te cuida, Belão! Te cuida, Prodent!

 

José Ribamar Bessa Freire – Taqui pra ti

03/12/2006 - Diário do Amazonas



Escrito por vera do val / inquieta às 11h10
[ ] [ envie esta mensagem ]




[ ver mensagens anteriores ]


 
email rose.bud.rosebud@uol.com.br Mesothelioma Attorney
Mesothelioma Symptom